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14 de jan de 2008

Governo ignora destruição de mata ciliar


Pantanal

Mato Grosso do Sul é conhecido mundialmente pelas suas riquezas naturais. Entretanto, em 30 anos de existência, o Estado não tem programa estadual para recomposição da vegetação que protege as margens dos principais rios e nem possui estudos sobre as áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal degradadas. O caso mais grave, entretanto, está na Bacia do Alto Paraguai, onde o Rio Taquari, principal afluente do Paraguai, agoniza sob sedimentos oriundos da degradação da mata ciliar.Sem o inventário florestal de Mato Grosso do Sul, o promotor do Meio Ambiente, Alexandre Lima Raslan, alertou que a falta de controle sobre as condições ambientais nas bacias dos rios e de política eficiente pela preservação de matas ciliares colocam o Estado em risco de sofrer o "apagão florestal". De acordo com o promotor, conforme relatório do Núcleo das Promotorias de Justiça do Pantanal e da Bacia do Paraná, entre 2003 e 2005 foram emitidas 3.334 autorizações para desmatamento no Estado, totalizando 555,5 mil hectares.Esses números, segundo Raslan, ainda não foram atualizados nos últimos dois anos. Para ele, a situação de desmatamento pode ainda ser pior, porque essas estatísticas revelam somente a derrubada autorizada. "O avanço do desmatamento, se continuar nesse ritmo e sem política de zoneamento, teremos o apagão florestal. As pessoas precisam entender que pode haver desenvolvimento com o respeito ao Meio Ambiente", enfatizou.O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) admitiu que não há no Estado a contagem das áreas de preservação permanente, da reserva legal e nem informações de recuperação da mata ciliar, que prevê, no mínimo, em 30 metros de cada margem de qualquer curso d’água do córrego o plantio de mudas nativas e a 50 metros das nascentes ou áreas úmidas, dependendo da largura dos rios até mais espaços, chegando a 100 metros. "Existem centenas de rios comprometidos. Os números (de quantas áreas precisam ser recuperadas) são complicados. É um levantamento que precisa de recursos, existem milhares de ramificações de córregos da rede pluvial", comentou o chefe de Divisão da Proteção Ambiental do Ibama, Jânio Marques da Silva. A atribuição de fiscalizar as áreas de preservação ambiental, que incluem a mata ciliar, fica sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac). Mas não há clareza em estatísticas sobre essa autuação.O superintendente de Meio Ambiente e Recursos Humanos, Roberto Ricardo Machado Gonçalves, 49, reconheceu que não existem estimativas sobre áreas que precisam ser recuperadas. "Infelizmente essa é uma informação de difícil obtenção. Sabemos, entretanto, que a situação é bastante preocupante e, por isso mesmo, merecedora de atenção especial", disse.

fonte: maracujanews
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