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26 de dez de 2007

Produção de aço na China piora o meio ambiente



Quando moradores do Norte da cidade chinesa de Handan penduram suas roupas para secar, a poeira da fábrica Handan Iron and Steel geralmente faz com que elas voltem para lavagem. Mundo afora, vizinhos da antiga fábrica de aço da ThyssenKrupp, no Vale Ruhr na Alemanha, tiveram um problema similar. As camisas brancas que os homens vestem para ir à igreja aos domingos ficam cinzas até chegarem em casa.
Essas duas "cidades do aço" possuem uma ligação incomum, atravessando 8 mil km e uma década de reviravolta econômica. Elas dividem a mesma fornalha que libera muita fumaça, desmantelada e transportada pedaço por pedaço do antigo coração industrial alemão para a província de Hebei, o novo Vale Ruhr chinês.
A transferência, uma das dezenas ocorridas desde a década de 90, contribuiu para o boom de produção de aço na China, que agora excede a da Alemanha, Japão e Estados Unidos juntos. Isso deixou a Alemanha com menos empregos e um arrependimento pós-industrial.
Emissores
Mas as fábricas de aço que poluem o ar e consomem muita eletricidade das usinas chinesas movidas a carvão são responsáveis por grande parte das emissões de dióxido de enxofre e de carbono.
A Alemanha, pelo contrário, tem limpado o céu e agora está liderando o combate ao aquecimento global.
Em sua corrida para recriar a revolução industrial que tornou o Ocidente rico, a China absorveu a maioria das grandes indústrias que poluíram o Ocidente. Estimuladas por forte apoio estatal, as empresas chinesas se tornaram as fabricantes líderes de aço, refrigerante de cola, alumínio, cimento, produtos químicos, couro, papel e outros produtos que encontram altos custos, incluindo regras ambientais mais severas, em outras partes do mundo. A China se tornou a fábrica do mundo, assim como sua chaminé.
Essa mudança massiva das indústrias poluentes tem atrapalhado o crescimento econômico da China. Taxas de crescimento de dois dígitos não têm ajudado muito a melhorar as vidas das pessoas quando os danos para o ar, a terra, a água e a saúde humana são considerados, segundo alguns economistas. Equipamentos de produção obsoletos terão de ser substituídos ou aperfeiçoados a um alto custo se o país pretende reduzir a poluição.
A piora do meio ambiente da China levantou a geopolítica do aquecimento global. Ela produz e exporta tantos produtos que já foram feitos no Ocidente que os países ricos podem se gabar de reduzir as emissões de carbono, mesmo quando as emissões mundiais sobem rapidamente.
A China também carece de recursos naturais, incluindo minério de ferro, petróleo e madeira, para a indústria pesada e sua crescente classe consumidora. O seu crescimento prejudica o meio ambiente tanto quanto o do Canadá, Brasil, Austrália e Indonésia, de onde compra matéria-prima transportada por navios.
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