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29 de out de 2008

O "Crash ecológico"

Nos últimos 30 anos, o planeta Terra perdeu 30 por cento da sua biodiversidade global e, ao ritmo que a população está consumindo os seus recursos naturais, dentro de pouco tempo o planeta vai entrar em colapso ecológico. E de um «crash» financeiro estaremos perante um «crash» natural, que torna uma incógnita o futuro do Homem. Se mantivermos o estilo de vida atual vamos precisar de duas «Terras» em 2030.

De dois em dois anos, a WWF - organização global de conservação de conservação da natureza - apresenta análises ao estado dos recursos do planeta e, esta quarta-feira, revelou a última edição do «Relatório Planeta Vivo 2008». Os dados são, no mínimo, preocupantes já que a biodiversidade global continua a regredir e recursos naturais, como a água, são cada vez mais escassos em vários países.

As pegadas ecológicas

O valor que nos indica se estamos gastando mais ou menos que os recursos naturais que estão à nossa disposição denomina-se «pegada ecológica» e, entre 151 países,Portugal encontra-se num péssimo 28º lugar. E como se não bastasse, em relação à biocapacidade (recursos disponíveis), Portugal está no 95º posto. O relatório clarifica ainda que a maior parte da biocapacidade lusa, cerca de 40 por cento, são recursos florestais.

Mas os Estados Unidos e a China são os países que apresentam maiores pegadas ecológicas, com valores cerca de 21% superiores ao desejável.

Onde está a biocapacidade?

Luís Silva é engenheiro e trabalha com a WWF. Esta terça-feira, esteve no Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves, no Instituto Superior de Agronomia,apresentando o relatório «Relatório Planeta Vivo 2008», em Portugal.

Após apresentar os valores das pegadas ecológicas, Luís Silva chamou a atenção para outro dado interessante do documento: «A biocapacidade global do planeta está distribuída de forma desigual», porque há cerca de oito países que «concentram mais de metade da capacidade biológica do planeta - Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Canadá, Argentina e Austrália».

A pegada da água

O relatório «Planeta Vivo 2008» tem também um novo indicador: a pegada de água. Mais uma vez, Portugal aparece «mal colocado» ocupando o 6º lugar (entre 151 países). Isto não significa que os portugueses esbanjam água no seu dia-a-dia, já que nesta «pegada» é contabilizada «a água gasta dentro das fronteiras (como a agricultura de regadio, por exemplo) e fora das fronteiras - a água gasta em produtos frescos que importamos de outros países», explica Luís Silva.

Todavia, em média, cada pessoa no Mundo consome 1.24 milhões de litros de água por ano (cerca de metade do volume de uma piscina olímpica). Mas o consumo pode variar entre os 2.48 milhões de litros por pessoa e por ano (nos EUA), e os 619000 litros anuais por pessoa e por ano (no Yemen). Em Portugal o indicador de uso de água é de 2.26 milhões de litros.

Na análise da pegada individual do uso de água, cinco das 10 nações cujos habitantes têm uma pegada mais alta são países do Mediterrâneo Grécia, Itália, Espanha, Portugal e Chipre uma zona do globo que enfrenta cada vez mais problemas de escassez de água.


O «Relatório Planeta Vivo 2008» demonstra que estamos consumindo recursos e serviços ambientais a um ritmo superior à sua capacidade de regeneração. James Leape, Director Geral da WWF Internacional, deixa um alerta: «Se a procura sobre os recursos naturais do Planeta se mantiver às taxas actuais, em 2030 precisaremos do equivalente a dois planetas para manter o nosso estilo de vida».

De acordo com o relatório, o futuro terá de passar pela aposta nas energias renováveis, com uma redução de 60% a 80% das emissões de carbono.

fonte:IOL Diario Portugal
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