Seguidores

22 de abr de 2008

Robinson Crushoe atual vivi em uma ilha no Atlantico Norte



Estóico, o olhar a escrutinar o mar, Bjoern Patursson é o último "Robinson feliz" do arquipélago das ilhas Féroe, no Atlântico norte, apaixonado há dez anos pela sua ilha, que não quer abandonar a qualquer custo.

Ao contrário de Crusoe, Bjoern, cinquentão, rosto de actor de uma série de Hollywood, diz ter "naufragado voluntariamente" em Koltur, pequena ilha com um panorama grandioso de falésias abruptas que caem a pique no oceano, paraíso dos papagaios-do-mar, dos corvos-marinhos-de-crista, das gaivinias do Árctico e gaivotas.

Desde 1997 que vive com a sua mulher, Lükka, nesta terra vulcânica, batida pelos ventos, muitas vezes engolida pelo nevoeiro, onde não existe nem uma árvore, e as únicas distracções são os gritos das aves e o barulho das ondas.

Para lhes fazer companhia, 170 ovelhas, um cão pastor, 26 vacas das Terras Altas escocesas, um touro e uma dezena de galinhas perdidas numa ilha de 2,7 km², onde o monte Uppi em Oyggi, culmina 477 metros acima do nível do mar.

Na sua confortável casa de madeira do século XIX, Lükka e Bjoern, dizem-se "muito satisfeitos", "ocupados" pela criação de ovelhas e vacas que lhes trazem a lã e a carne biológicas que vendem aos habitantes de outras ilhas. "Como criadores de gado, não nadamos em ouro, mas com a ajuda dos turistas, conseguimos viver", afirma Lükka, uma alegre cinquentona com cabelos louros e os olhos verdes.

Koltur é "única" segundo os historiadores, porque é o único local do arquipélago de 18 ilhas a abrigar um sítio arqueológico classificado: casas em pedra, com o tecto coberto de turfa ou relva, com a forma de um drakkar (um barco viquingue) invertido, lembrando o período das primeiras invasões viquingues, entre os anos 900 e 1000.

De acordo com os escritos de 1584, duas famílias viviam na ilha e, até aos anos 1800, 40 pessoas continuavam a viver, até desertarem a pouco e pouco para a cidade, atraídas pela industrialização da pesca.

Em 1990, os últimos ilhéus deixavam Koltur, propriedade do Estado. Quatro anos mais tarde, Bjoern, então director financeiro numa leitaria e com um salário de 40 mil coroas dinamarquesas por mês (cerca de 5300 euros), vê uma reportagem sobre esta ilha fantasma.

"Cresci numa quinta e gostava desta vida na natureza, era uma oportunidade de realizar o meu sonho", pensou.

Pediu ao Governo para ficar encarregue da ilha e preocupa-se na restauração e preservação do seu património cultural.

A sua mulher, de 50 anos, secretária, segue-o. O casal deixou os seus dois filhos, na altura com 14 e 16 anos, com a família na cidade.

Bjoern "saboreia" cada dia esta liberdade, de ser o único "mestre a bordo", de mostrar aos turistas "o seu reino", que pensa transformar em "parque nacional, o primeiro do arquipélago".

O casal paga ao Governo o aluguer e exploração do local a um preço "razoável" e recebe "alguns subsídios para restaurar as casas" do século XVI, a grande atracção da ilha.

No seu escritório, os telemóveis estão espalhados ao lado do computador: "tenho televisão, Internet de alta velocidade graças a uma parabólica situada no telhado para captar os sinais de um emissor colocado no alto da montanha da ilha à nossa frente. Sem comunicações com o mundo exterior, não teria ficado", assegura.

"Eu também não. Eu sou uma 'Sexta-feira' primitiva, mas que gosta de um pouco de conforto", responde Lükka, a pastora, que organiza na tela do computador as suas idas ao cabeleireiro, ao médico, ou encomenda "principalmente legumes, frutas e cereais" no supermercado.

Três vezes por semana, o casal chama o helicóptero do Estado para ir à cidade, uma média de 170 coroas (22,8 euros) a viagem de ir e vir, "ou seja, o preço de uma ligação entre barco entre as outras ilhas".

Mas o casal também tem as suas crises. "Estar face a face 365 dias por ano, isso provoca por vezes faíscas", diz Lükka. Então, ela "fecha a porta e vai dar uma volta à falésia onde se encontra com Gleen, o seu cão, e as suas ovelhas, tempo suficiente para que passe a trovoada.


Fonte : DN online
Postar um comentário