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24 de fev de 2008

Grupo internacional de cientistas diz que planeta vai esfriar


A partir de estudos sobre o papel dos raios cósmicos nos fenômenos atmosféricos e nas variações climáticas, um grupo internacional de cientistas passou a defender a tese de que o mundo passará, nos próximos anos, por um processo de resfriamento global, contradizendo frontalmente as conclusões do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Um dos defensores da tese, o físico Yuri Stozhkov, do Instituto de Física Lebedev, em Moscou, Rússia, espera que suas idéias sejam combatidas intensamente nos próximos anos. Mas, ao mesmo tempo, afirma que elas não são motivo para deixar de lado o esforço pela diminuição das emissões de carbono.

Há dez anos, o cientista está envolvido com o programa Cosmics Leaving Outdoor Droplets (Cloud), do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern). “As conclusões finais do programa sairão apenas em 2010, mas os dados colhidos até agora indicam que, no futuro próximo, podemos esperar por um processo de resfriamento da nossa atmosfera, em vez do aquecimento global”, disse Stozhkov. “Isso não quer dizer que os raios cósmicos determinam sozinhos o ambiente na Terra. Eles são apenas um ingrediente importante do clima. Também não quer dizer que podemos esquecer a mitigação das emissões de carbono”, disse o pesquisador, que também pertence à Academia Russa de Ciências.

Com o objetivo de estudar a influência de cargas elétricas na formação de gotículas d’água na atmosfera, o programa Cloud procura reproduzir o processo em laboratório. Para isso, os cientistas irradiam partículas aceleradas em câmaras de nuvens de vários tamanhos. “Por muitos anos tenho estudado a influência da atividade solar nos fluxos de raios cósmicos. Há cerca de dez anos descobrimos que esses fluxos estão conectados a vários fenômenos elétricos, como a formação de nuvens baixas. Eles influenciam também os padrões de cobertura global das nuvens”, explicou.

Segundo ele, quando a radiação penetra na atmosfera terrestre, ela acelera a formação de aerossóis, ou grupos de moléculas, que se aglutinam e compõem a base da formação de gotículas nas nuvens. “Uma nuvem com um número maior de gotículas reflete a luz solar incidente de forma mais eficiente e se torna mais estável, produzindo um efeito de resfriamento. Uma variação de uma pequena porcentagem nesse processo afeta de forma significativa o clima global”, disse.

A questão do aquecimento global, segundo o físico, passará ainda por muita discussão.
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