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15 de fev de 2008

Estudo: atividade humana e poluição já afetam quase todos os oceanos


Quase todo o oceano já foi danificado de alguma maneira pela ação do homem, e pelo menos 41% de suas águas foram seriamente afetadas, de acordo com estudo publicado nesta quinta-feira.
As áreas costeiras estão contaminadas por resíduos. Ostras e pesca estão desaparecendo. Ilhas flutuantes de lixo e sujeira do tamanho de pequenos estados impedem a circulação da água. Aves e baleias são atingidas por barcos que deixam um rastro de petróleo e dejetos por onde passam.
O maior dano, no entanto, são as mudanças climáticas, afirma o primeiro estudo em escala global sobre o impacto humano nos ecossistemas marinhos, que será publicado na revista "Science".
"Há impactos amplos e intensos", lamenta Kim Selkoe, co-autora do trabalho e pesquisadora da Universidade do Havaí.
Um aumento significativo na temperatura da água foi observado no Atlântico Norte entre 1995 e 2005, e se espera que o aquecimento global faça subir ainda mais as temperaturas em outros lugares.
As altas temperaturas colaboram, por sua vez, para o aumento do nível de plâncton presente na água e modificam a composição de espécies nos níveis mais altos da cadeia alimentar. Além disso, elevam a ocorrência de doenças e mudanças na circulação marítima, explica Selkoe.
Os oceanos estão se tornando cada vez mais ácidos, devido à absorção de dióxido de carbono em excesso, e as plantas estão sendo afetadas pelo aumento da radiação ultravioleta.
"A outra coisa realmente surpreendente para mim é que nossos dados sobre a pesca mostram que 80% dos oceanos do mundo são explorados", afirma a pesquisadora. "Não sobra um só lugar onde os peixes possam se esconder (...). Os barcos pesqueiros estão por toda parte".
Enquanto a pesca de subsistência tem um impacto limitado na ecologia marítima, a pesca comercial representa um alto impacto e joga toneladas de peixes, aves e mamíferos mortos no mar, e isso ameaça de extinção várias espécies de tartarugas, aves, baleias e golfinhos.
O tráfego de barcos é o terceiro maior culpado pela poluição.
"Quando olhamos o mapa do tráfego marítimo, há uma sólida cobertura dos oceanos do mundo", diz Selkoe. "O combustível é derramado, há poluição auditiva que perturba as baleias (...), o que tem um importante efeito nos ecossistemas".
Afastar os percursos das embarcações das áreas sensíveis, como recifes de corais, poderia reduzir significativamente o impacto na vida marítima, sugere o estudo.
As águas mais afetadas no mundo incluem imensas áreas do Mar do Norte, o sul e o leste do Mar da China, o Mar do Caribe, a costa leste da América do Norte, o Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Mar de Bering e várias regiões do oeste do Pacífico.
Apenas 3,7% do oceano é considerado área de baixo impacto, e a maior parte disso fica perto dos pólos terrestres, onde o gelo temporário e permanente limita a atividade humana.
"Infelizmente, ao passo que as calotas de gelo polar desaparecem com o aquecimento global e a atividade humana se estende a essas áreas, há um risco maior de degradação rápida desses e de outros ecossistemas", explica Carrie Kappel, co-autora do estudo e pesquisadora do National Center for Ecological Analysis and Synthesis.
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