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14 de dez de 2007

Cinco afluentes do Lago Paranoá apresentam níveis preocupantes de poluição



Dos 16 córregos, ribeirões e riachos que desembocam no espelho d’água, pelo menos cinco apresentam níveis preocupantes de poluição e desmatamento. Eles carregam toneladas de lixo, terra e óleo por quilômetros e despejam o material nas águas mais nobres de Brasília. Os poluentes vêm de cidades, invasões e áreas agrícolas de todo o Distrito Federal.

Na opinião de especialistas, o pior deles é o Riacho Fundo, que recebe córregos vindos da região compreendida por Guará, Núcleo Bandeirante e Águas Claras. Antes de chegar no lago, ele se encontra com o córrego Vicente Pires, que nasce ao lado da Estrutural. Lá, apenas o barulho de água corrente denuncia a presença da nascente. Chegando um pouco mais perto, o cheiro de carne estragada alerta o visitante sobre a cena que ele está prestes a ver. Garrafas e sacos plásticos, pedaços de roupas e isopor formam ilhas de sujeira no caminho da água.
A água, que brota limpa e cristalina, não corre mais de 15m sem passar por montes de entulho e matéria orgânica. Além da poluição das águas do lago, a deterioração dos córregos causa prejuízos para toda a rede hidrográfica da região. Erosões, aterros e assoreamentos mudam as margens e a profundidade dos cursos d’água. “Nenhum dos tributários (córregos que alimentam o lago) está em perfeitas condições. A ocupação urbana está cada vez mais próxima das nascentes e margens e isso tem um efeito”, alertou Geraldo Boaventura, professor de geoquímica da Universidade de Brasília (UnB).

A construção de casas ou criação de plantações sem planejamento perto de córregos é uma das principais causas das más condições das águas. Moradores tiram a vegetação nativa ao longo das margens, chamada mata ciliar, para levantar paredes ou limpar o terreno. Sem a filtragem natural das plantas, os sedimentos caem direto no curso d’água. “Quando se tira a proteção, a água da chuva chega com entulho e terra, causando o assoreamento, e ali começa a se formar um pântano”, explicou o chefe da Divisão de Perícias do Ministério Público do Distrito Federal, Luiz Beltrão.

fonte: Correioweb
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