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15 de dez de 2007

Al Gore diz que conferência de Bali pode continuar sem os EUA que protestam



O vencedor do prêmio Nobel da Paz, o ex-vice-presidente americano Al Gore, pediu que o mundo tome medidas firmes contra as mudanças climáticas sem levar em conta a posição dos Estados Unidos, acusado de bloquear as negociações da conferência sobre o clima em Bali, já na reta final.
Ante uma sala extremamente cheia, Gore - que na segunda-feira recebeu em Oslo o prêmio Nobel da Paz junto com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) - pediu que os negociadores tomem medidas drásticas para evitar que a conferência não seja um fracasso.
"Não sou um funcionário oficial e não estou obrigado a respeitar a amabilidade diplomática", afirmou Gore, que em 2000 sofreu uma controversa derrota para George W. Bush nas eleições americanas.
"Dessa forma, vou dizer uma verdade inconveniente: meu país, os Estados Unidos, é o principal responsável pela obstrução das negociações aqui em Bali", afirmou, provocando uma grande ovação.
Gore propôs que se deixe "um espaço aberto" no acordo, com a esperança de que o sucessor de Bush, após as eleições de novembro de 2008, mude a posição dos Estados Unidos.
A Casa Branca, por sua vez, tentou minimizar as declarações de Al Gore, em uma nota divulgada pela porta-voz Dana Perino.
"Acho que ele se engana", afirmou ela à imprensa.
Ministros do Meio Ambiente de todo o mundo têm até o meio-dia de sexta-feira para chegar a um acordo do "mapa do caminho" das futuras negociações climáticas.
Essas negociações são destinadas a desembocar em novo acordo internacional para aumentar a luta contra as mudanças climáticas a partir de 2012 - data que expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto.
"Estamos em uma situação de tudo ou nada, caso não conseguirmos acabar o trabalho a tempo, o 'castelo de cartas' irá desmoronar", afirmou Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), organizadora do encontro.
A União Européia (UE) propõe que os países industrializados reduzam suas emissões entre 25% e 40%, enquanto os Estados Unidos e outros países desenvolvidos se opõem que essa declaração final de Bali inclua qualquer referência a essa cifra.
Os americanos tentam arrastar outros países industrializados "em um tobogã escorregadio" preparado pela administração Bush, considerou Hans Verolme, da organização ecologista Fundo Mundial pela Natureza (WWF).
Reafirmando sua posição, a UE advertiu que poderá não participar de uma cúpula dos principais emissores de gases de efeito estufa, que será organizada pelos Estados Unidos no Havaí em janeiro, caso as negociações fracassem em Bali.
"Caso fracassemos em Bali, não terá nenhum sentido manter essa reunião de principais emissores", afirmou Humberto Rosa, ministro português de Meio Ambiente, cujo país preside atualmente a UE.
Rosa não quis falar de uma ameaça de boicote, porque "não estamos fazendo chantagem com ninguém", afirmou.
James Connaughton, presidente do Conselho da Casa Branca sobre Qualidade do Meio Ambiente, rechaçou as acusações. "Cada país tem uma posição sobre essa negociação, não só os Estados Unidos", afirmou.
Em um informe divulgado em novembro em Valença (Espanha), o IPCC advertiu que a temperatura média do planeta pode aumentar em 2100 entre 1,1º C e 6,4º C em comparação com os níveis de 1980-99, devido à acumulação, na atmosfera, de gases de efeito estufa causados pelas atividades humanas.
Isso provocaria tempestades mais fortes, secas, inundações, aumento do nível do mar, derretimento dos pólos, incêndios e fome que irá afeitar com maior severidade os países em desenvolvimento




fonte: google
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