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13 de nov de 2007

Natureza,nos ensina

Um sapo que vive no deserto australiano está a servir de modelo para desenvolver uma tecnologia que permite retirar o alumínio dos pacotes de leite ou substituir os sistemas de conservação das vacinas.


Este é apenas um dos exemplos de como as empresas devem começar a olhar para a natureza, tentando imitá-la, contribuindo assim para melhorar a biodiversidade e criando ao mesmo tempo novos mercados, defendeu Gunter Pauli, responsável da empresa internacional «Zero Emissions Research & Initiatives (ZERI)».

Durante a conferência «Negócios e Biodiversidade», que decorre em Lisboa, Gunter Pauli entusiasmou a assistência ao mostrar como um pequeno sapo pode ensinar o Homem a desenvolver sistemas que substituam o alumínio, que é altamente poluente e mau para a saúde.

Esta espécie de sapo vive numa zona onde chove apenas uma vez em cada sete anos e tem a capacidade de absorver muita água que mantém em reserva, através de produção de queratina, substância que existe nas unhas e cabelos.

A produção de queratina produz uma espécie de embalagem natural, como descreveu aos jornalistas, Gunter Pauli, que permite ao sapo conservar a reserva de água durante sete anos.

Neste momento está já a ser desenvolvida tecnologia com base nesta capacidade natural do sapo, de forma a que se consiga obter um produto mais barato e mais ecológico para concorrer com as embalagens para alimentos líquidos, o que pode permitir vir a fazer frente à multinacional Tetra Pak, que detém 80 por cento do mercado destas embalagens.

«Será muito bom podermos competir com a Tetra Pak», comentou o responsável da ZERI.

Mas esta tecnologia poderá também servir para substituir as embalagens de conservação das vacinas, podendo ser muito útil, por exemplo, nos países africanos.

O caso do sapo é apenas um dos 2.100 casos que a ZERI encontrou na natureza e que têm «possibilidade tecnológica» para ser «imitados».

Trezentos destes casos já têm viabilidade assegurada e a ZERI pretende publicar em Outubro do próximo ano um documento onde vai mostrar ao mundo «as 100 melhores soluções tecnológicas com melhores benefícios ambientais».

Outro exemplo que pode ser mimetizado da natureza é o de uma alga do mar que controla a comunicação entre bactérias, o que pode permitir evitar a corrosão bacteriana nas tubagens de extracção petrolífera.

Foi ainda encontrada uma concha que tem a capacidade de produzir cerâmica e um escaravelho com potencialidades para substituir alguns detergentes da roupa - com a mesma qualidade para conseguir brancura, mas com a vantagem de resolver problemas de alergias de pele causadas por alguns detergentes.

Gunter Pauli apelou aos empresários para seguirem uma estratégia de inovação «inspirada pela natureza» e aliciou-os com o facto de as novas tecnologias poderem ser aplicadas em mercados com grandes margens de lucro, como os plásticos ou as embalagens.

´ «Temos de imitar os ecossistemas, que são muito criativos. A natureza tem resolvido sozinha muitos problemas. Nós temos de a mimetizar», sublinhou.

fonte:Diario Digital
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