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24 de nov de 2007

Construções irregulares em área de preservação ambiental



Moradores do Papicu temem a perda de toda a área de preservação ambiental que envolve a lagoa do bairro

O lugar impressiona pela beleza natural, mas muita gente nem sabe que ele existe. Bem no meio do Papicu, a lagoa de mesmo nome tem em seu entorno uma vegetação nativa em cima das dunas. No entanto, a reserva ambiental está correndo risco com ocupações irregulares na área. Conforme moradores do bairro, as primeiras foram construídas na beira da lagoa, há anos, e tem como nome favela do Pau Fino. Mas agora, nas últimas semanas, parte da mata foi queimada para a construção de novos barracos.

A ação foi denunciada por moradores do bairro, que temem pela perda de toda a área de preservação ambiental que envolve a Lagoa do Papicu. Um deles, que mora lá há um ano, relata que a ocupação se tornou desenfreada. "Eles queimaram uma grande parte da mata. A gente tem medo que o fogo venha parar na nossa casa. E, além de praticar o crime ambiental, roubam os fios e a gente fica sem energia elétrica", diz. O morador conta que já tentou contatar todos os órgãos que poderiam resolver a situação de alguma forma, mas nenhum tomou as providências cabíveis. "Limparam a lagoa em maio deste ano. Ficou ótimo. Mas é preciso uma ação completa".

Conforme Olinda Marques, presidente da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), o que está ocorrendo na área é especulação imobiliária. "Como foi feito o cadastro das famílias mais antigas, que vão ganhar casas novas em outra área, outras pessoas foram morar lá em busca do mesmo benefício". O projeto, que já está em andamento, vai beneficiar 612 famílias que vivem às margens da Lagoa do Papicu e nas ruas Pereira de Miranda e Joaquim Lima. Essas famílias foram cadastradas em fevereiro de 2007.

O orçamento inicial do empreendimento é de cerca de R$ 14 milhões, que incluirá a construção de 478 unidades e mais 134 melhorias habitacionais. Além disso, constam no projeto a urbanização da lagoa com a construção de um calçadão no seu entorno, ciclovia, campo de futebol, quadra poliesportiva, pista para skate e equipamentos de ginástica. Segundo a Secretaria Executiva Regional II (SER II), responsável pela área, foram feitas aproximadamente 400 demolições no local até agora. O órgão só pode derrubar os barracos vazios, sem moradia.

Mas de acordo com uma das moradoras, que vive lá há mais de 12 anos, essas demolições não foram percebidas pelos moradores. Segundo ela, é preciso haver fiscalização intensiva para que novos barracos não surjam de repente. "Meu marido viu alguns barracos sendo derrubados, mas no outro dia de manhã eles estavam em pé de novo", diz. Ela conta que, quando a área próxima à lagoa foi loteada, a empresa responsável só poderia executar as obras se doasse uma área de cinco praças para o bairro. "Mas a empresa preferiu criar a reserva ambiental ao redor da lagoa, que tinha uma área equivalente", explica.

Foi então que um projeto foi criado por dois arquitetos e doado à Prefeitura, que tinha como governante, Maria Luiza Fontenele. Mas nada foi feito. "O parque é lindo, tem uma vegetação nativa, mas precisa remover essas famílias pra outro lugar e construir equipamentos públicos, se não, outras virão. O parque está se acabando e a gente precisa gritar para salvá-lo", afirma a moradora. O pároco da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, que fica próxima a área, também teme pela segurança dos fiéis. "Cresceu a quantidade de assaltos".

O POVO opta não divulgar o nome dos moradores por questão de segurança.

fonte:O Povo
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