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26 de mar de 2008

Usina de Tijuco Alto pode abrir caminho para mais três, alertam ambientalistas


Entidades ambientalistas e civis, de assistência comunitária e social do Vale do Ribeira (nos estados de São Paulo e Paraná) opõem-se à construção da Usina Hidrelétrica Tijuco Alto devido aos impactos que poderá ter sobre o meio ambiente e a economia das comunidades locais, incluindo os pescadores. As entidades protestaram hoje (12) diante da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na capital, por ter concedido ao projeto dessa usina um parecer técnico que a considera víavel ambientalmente.A Hidrelétrica de Tijuco Alto pretende gerar 150 megawatts de energia para uso exclusivo da unidade da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) na cidade de Alumínio. Ela ficará entre as cidades de Ribeira (SP) e Adrianópolis (PR), com a vertente no lado paulista e a usina de força do lado paranaense. O lago previsto terá 51,8 quilômetros quadrados e os ambientalistas disseram temer que a autorização abra caminho para a construção das três outras usinas previstas para o mesmo Rio Ribeira do Iguape – as de Funil, Itaoca e Batatal.As entidades questionam esse projeto até por sua destinação, já que a região é uma das mais pobres do estado, mas a energia gerada será de uso exclusivo da empresa. Segundo dados da organização Instituto Socioambiental (ISA), que luta contra os projetos dessas barragens, o Vale do Ribeira concentra a maior reserva contínua de Mata Atlântica do país, com 2,1 milhões de hectares de florestas, 21% do total remanescente.O rio fica na Serra de Paranapiacaba, que divide as bacias do Ribeira do Iguape e do Paranapanema, e abriga dois parques estaduais ambientais: o Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (Petar) e o Intervales, com mais de 300 cavernas. Depois de cortar a Serra do Mar, o Ribeira do Iguape deságua no litoral sul e sua foz deu origem à Ilha Comprida. Essa região do litoral, o Lagamar, compreende a Estação Ecológica da Juréia-Itatins (estadual). Segundo o ISA, a região reúne 150 mil hectares de restingas e 17 mil hectares de manguezais.O Vale do Ribeira está incluído nos Territórios da Cidadania, programa lançado pelo governo federal neste ano. As principais atividades econômicas da região são o plantio da banana e de chá, e a pesca. No local estão 40 comunidades quilombolas, três terras indígenas e grande quantidade de pequenas propriedades de agricultura familiar.Entre as questões ambientais envolvidas, o ISA cita preocupações quanto ao assoreamento do rio, prejuízo às espécies de peixes que sobem o rio para se reproduzir, mudanças no microclima, dos regimes hídricos em função da mudança de nível freático e impactos não previstos sobre os ecossistemas do Lagamar, no litoral e na vida dos pescadores. Citando o próprio Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente da empresa, o ISA afirma que 689 famílias serão atingidas.Assinam o movimento 12 entidades, entre elas a Fundação SOS Mata Atlântica, Movimento dos Ameaçados por Barragens do Vale do Ribeira (Moab), Equipe de Assessoria e Articulação das Comunidades Negras (Eaacone), Coletivo Educador do Lagamar e Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Vale do Ribeira.

fonte : Agencia Brasil
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