Seguidores

13 de dez de 2007

Eventual fracasso em Bali preocupa ONU; ambientalistas atacam EUA

A menos de um dia do encerramento da conferência sobre o clima de Bali (Indonésia), o secretário-executivo da convenção se declarou muito preocupado com o estágio das negociações, que, segundo fontes do movimento ecológico, estão ameaçadas pela "dinâmica destrutiva" dos Estados Unidos.

"Estou muito preocupado com o ritmo das negociações", afirmou o holandês de Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que organiza o encontro.

"Ao meio-dia de amanhã (2H00 de Brasília, sexta-feira), teremos esgotado o prazo", acrescentou.

De Boer mencionou várias questões complicadas e inter-relacionadas que dificultam a conclusão de um acordo.

"Como as questões se entrelaçam, estamos em uma situação de tudo ou nada nada. Se não conseguirmos acabar o trabalho a tempo todo o castelo de cartas desmorona", afirmou.

Os ministros do Meio Ambiente e seus representantes de mais de 180 países têm até sexta-feira para estabelecer um "mapa do caminho" para futuras negociações climáticas.

Estas devem resultar em um novo acordo internacional para acentuar a luta contra as mudanças climáticas a partir de 2012, data em que expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto.

Segundo De Boer, um dos principais problemas é a divergência a respeito do alcance das futuras negociações.

A União Européia propõe que os países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 25 e 40%, mas os Estados Unidos e outros países desarrollados não aceitam que a declaração final de Bali inclua qualquer referência a este valor.

Segundo várias organizações ecológicas presentes em Bali, é justamente a "dinâmica destructiva" dos Estados Unidos que prejudica a negociação.

"Os Estados Unidos tentam arrastar os outros países desenvolvidos para um tobogã escorregadio preparado pela administração do presidente George W. Bush", declarou Hans Verolme, diretor para o clima do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

"Os países desenvolvidos devem decidir se querem se associar a uma administração manca", acrescentou durante uma entrevista coletiva organizada por várias ONGs, incluindo o Greenpeace.

"Durante as próximas 36 horas viveremos o momento da verdade", opinou Verolme.

"Não resta outra possibilidade que coroar Bali com um êxito", completou.

Reafirmando sua posição, a União Européia ameaçou boicotar a reunião dos principais países emissores de gases que provocam o efeito estufa, que será organizada em janeiro pelos Estados Unidos, se Washington não se comprometer em Bali com objetivos claros.

"Sem objetivos claros, não acontecerá nenhuma reunião dos principais emissores em janeiro", advertiu o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel.

De Boer afirmou que o prazo máximo para um acordo é o meio-dia de sexta-feira, já que o texto precisa ser traduzido e distribuído, de acordo com procedimentos da ONU, antes do encerramento oficial da conferência às 18H00 locais (8H00 de Brasília).

Neste contexto, chegou nesta quinta-feira Bali o ex-vice-presidente americano Al Gore, Prêmio Nobel da Paz este ano.

Gore chegou à Indonésia três dias depois de ter recebido em Oslo o Prêmio Nobel, que dividiu com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ele deve discursar e se reunir com algumas das principais figuras das negociações.

Al Gore, ativo defensor do meio ambiente desde sua polêmica derrota nas eleições presidenciais para George W. Bush no ano 2000, é considerado uma das esperanças para salvar as negociações em Bali.

fonte: google
Postar um comentário