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30 de out de 2007

Crítica aos EUA domina reunião em Lisboa sobre ambiente

Lisboa, 29 Nov (Lusa) - Críticas ao governo do presidente norte-americano, George W. Bush, dominaram a reunião para a criação do futuro mercado global do carbono, realizada nesta segunda-feira em Lisboa.

Embora a administração Bush rejeite o Protocolo de Kyoto, que determina metas de redução dos gases causadores do efeito estufa, três estados norte-americanos - Nova Iorque (na foto, governador Eliot Spitzer), Nova Jersey e California - se juntaram à Europa, e representantes locais de Canadá e Nova Zelândia na iniciativa.

"O mercado e o ambiente não têm de ser inimigos. Pelo contrário, podem ser adversários de um inimigo comum, as alterações climáticas", afirmou o primeiro-ministro português, José Sócrates.

O premiê luso disse que o comércio de emissões é a forma "mais eficiente" e "mais econômica" de lidar com as alterações climáticas. "Quanto mais parceiros e mais transações tivermos, melhores resultados vamos obter".

"A melhor forma de combater o flagelo das alterações climáticas são os mercados do carbono. Só assim passamos a ter custos para a poluição, o que é o melhor estimulo para a mudança de consciência e inovação tecnológica", afirmou Sócrates.

Segundo Sócrates, o mercado do carbono vai gerar fluxos financeiros para ajudar os países subdesenvolvidos no combate às alterações climáticas. "E não por caridade, mas para exportarmos desenvolvimento sustentável", disse.

Estados Unidos

Os estados de Nova Jersey, Nova Iorque e Califórnia assinaram a declaração de criação da parceria de ação internacional do carbono (ICAP), um fórum internacional para troca de experiências por meio de workshops, seminários e pesquisas conjuntas.

"Estamos desapontados que o nosso governo federal não esteja aqui", disse o governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, afirmando "não ter dúvidas" de que o sucessor de Bush vai ter uma posição diferente sobre o assunto, assumindo o problema das alterações climáticas.

"Este é talvez o maior desafio global que enfrentamos", prosseguiu Spitzer. O governador da Califórnia defendeu que é "uma obrigação moral" tratar do problema das alterações climáticas.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, não pôde participar do evento devido aos incêndios que afetaram o Estado nos últimos dias, mas enviou uma mensagem de vídeo em que classificou o acordo como um "passo histórico".

"Só porque não se vê Washington liderando o processo das alterações climáticas, isso não quer dizer que os americanos não tenham grande participação no combate a este problema", disse Schwarzenegger, lembrando ainda que a Califórnia criou o primeiro mercado de carbono do mundo.

No lugar de Schwarzenegger, a representante da Agência para Proteção do Meio Ambiente da Califórnia, Linda Adams, afirmou que o Estado reconhece o problema do aquecimento global.

Até o final do século, a Califórnia pode ter um aumento da temperatura de 10 graus, com graves conseqüências, principalmente em relação ao abastecimento de água. "Por isso, o governador Schwarzenegger quer que trabalhemos com outros líderes", disse Linda Adams.

União Européia

O comissário europeu para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, realçou no seu discurso a adesão dos Estados norte-americanos a esta iniciativa. "Espero que com a presença dos governadores dos Estados Unidos possamos trabalhar juntos pela criação de um mercado global de emissões".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também enviou também um vídeo, manifestando o interesse do seu país em aderir à iniciativa. "Trabalhando juntos, podemos fazer do mercado global do carbono uma realidade", disse.

O presidente da Comissão Européia (braço executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, classificou o projeto como um "sinal" para outros países, especialmente para as nações desenvolvidas, que têm "uma responsabilidade especial" em assumir a liderança da redução das emissões.

"Dar um preço ao carbono é o impulso vital necessário para assegurar um saudável mercado de tecnologias limpas. É uma das prioridades para a inovação, a criação de mercados e a atividade futura", afirmou Durão Barroso.

Mercado de carbono

A presença dos Estados Unidos num mercado de carbono global é fundamental, disse o ministro português do Meio Ambiente, Francisco Nunes Correia. Segundo o representante do governo português, o projeto é "ainda um sonho", mas pode se tornar realidade desde que "os governos de todo o mundo aumentem as suas ações".

"Esta ação demonstra que a política climática não é apenas um imperativo moral, mas também uma boa política econômica", afirmou. Para o ministro, somente a redução das emissões de carbono pode evitar um desastre de conseqüências econômicas, de segurança e humanitárias.

"A União Européia tem uma visão muito clara do que deve ser esta organização. Deve estar enraizada na liderança dos países desenvolvidos e em metas obrigatórias de redução das emissões", disse Nunes Correia.

O ministro português lembrou ainda que em março a União Européia decidiu reduzir até 2020 as suas emissões em pelo menos 20% ou 30% se outros países desenvolvidos assumirem o mesmo compromisso.

fonte:Lusa
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